Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa


Avaliação / Evaluation

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Avaliação 06/Junho/2008

 

Classificação: Very Good

Unidade Visitada em: 06-06-2008

Comentários do Painel de Avaliação:

The Committee has discussed in great detail the case of the Centro de Filosofía das Ciências da Universidade de Lisboa and has decided in a unanimous vote to give it the raking of very good by virtue of the following reasons:

1. Due to its general objectives and the very possibility of its founding, the Centro de Filosofia das Ciências deserves the warmest and best-deserved congratulations. There are not very many research centres in Europe or America that, belonging to a science department, propose and develop a comprehensive programme which brings together and interconnects Natural Science and Moral Science, sparing through this approach the abrupt gap between what according to P. Snow is known as "the two cultures". Spoken more schematically, this puts the centre in question, the Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa, in a leadership position, or at least in a position of great competence with respect to similar ideologies on a European scale.

2. In addition to this general assessment, some of the research groups particularly # 800, 1049 and 1052, dedicated to problems in the fields of quantum physics, biology and mathematics, respectively are working, in the eyes of the Committee, in accordance with the high quality standards, which can be perfectly compared with similar European groups. However, it must be pointed out that while these groups engage in researching specific subject matters, fundamentally epistemological, other groups of the same centre focus on more general issues, in which the point of view of "contamination" between scientific, historical and socio-political perspectives prevails. The Committee wishes to express that it has nothing against these latter models of analysis, and that in some cases, its assessment of certain projects being carried out is reflected by very positive rankings, as can be seen in the individual evaluations. However, for this same reason, the Committee would like to clearly state that it has some concerns regarding the amount of attention the centre wants to give these types of studies and the specific organization of the aforementioned, to the extent that the objectives the centre itself claims to reach and which are specifically directed at proposing regulatory or quasi-regulatory parameters capable of supporting (sic) unity between the sciences, do not appear to be able to grant such studies sufficient credibility to challenge or merely debate the validity of those "same parameters.

3. The reservations felt by Committee, are explained hereafter. Accepting, at least as a hypothesis, the legitimacy of a general approach, which for this purpose declares itself from the beginning in favour of a scientific production that is universal and potentially unitary in character. That is, research that adopts a more descriptive point of view that tends to diagnose contamination phenomena of social and historical influences should 1) vigorously set how it coordinates with the general approach; 2) clearly define how the results appear as though they can be overcome by the proposed design of the normative unity of science; and 3) most importantly, integrate, all existing descriptive perspectives, instead of implementing a massive and systematic use of only one of them.

Starting by the latter, it must be recognised indeed that the only perspective of this type involved in the referenced research programmes is that set out by the works of Foucault. Nevertheless, it is obvious this type of perspective does not wear out the possible analyses revolving around the social and historical components of scientific production. Therefore, and for this reason, a more extensive consideration is missing that can include, among others, the point of view of Postkuhnian Epistemology or Sociology of Science in any of its aspects, or any of the different theories of methodological proliferation (either of the type of Feyerabend, pragmatic proposals based on the analysis of diverse and heterogeneous controversial models of the sciences, etc.) It is clear that this expansion of the field of study would not be a requirement for more specific research, and in any case, it cannot be demanded of pre-existing teams, whose specialisation is what it is. However, it is clear that there is no obligation to commit to specific general hypotheses, whereas if it happens to be the case, nothing absolves the analysis of theoretical perspectives that appear competent for the case.

4. The Committee believes that this is the central point. It should be noted that there is a clear disproportion between the groups dedicated to using and applying epistemological models for the analysis of determined sciences always with a specific and conceptually defined character and the groups that, on the contrary, aim at promoting historical studies in unspecified coordinates, which always bear a vague character and are very general in conceptual terms. Given these conditions, the centre’s objectives appear more oriented at expressing a desideratum (and by the way a very ambitious one) than to following reasonable lines of research adjusted to the current resources and teams. The Committee understands that this causes constant ambiguity between what constitutes "fields of study" and what is presented as "research projects", without allowing the latter, as they are currently defined, to cover the expectations found in the first; and least yet, to propose a reliable solution to the general problem of unity in science.

In view of all of these considerations, the Committee wishes to reiterate its congratulations to the Centro de Filosofia das Ciências for the role it already fulfils, and above all, for that which it is trying to reach in the field of Portuguese philosophical research, as well as the spirit that encourages it and for the high quality of many of the existing activities. Nevertheless, with the same sincerity, we recommend 1) a revision of the ultimate aims, in the sense of proposing them with a softer and more hypothetical character; 2) a search for greater coherence and structure (in both methodological and conceptual fields) among its different work groups; and 3) a more realistic redefinition of its theoretical possibilities, taking into consideration the current available resources. With regard to this last recommendation, the Committee recognises, in all this, that the Centro de Filosofia das Ciências has earned sufficient merits and it advises a significant increase in the subsidies given by the Foundation.


Avaliação 25/Junho/2003

Philosophy: Fair

A comissão interroga-se sobre a pertinência de incluir no projecto a menção a teses de doutoramento concluídas antes da existência do Centro ou previstas para conclusão dentro de alguns anos.

Por outro lado, na organização de encontros científicos, cabe notar que aqueles que foram apresentados foram realizados no quadro de outros projectos e de outras instituições.

Sobretudo, a Comissão sente-se incapaz de se pronunciar a respeito das intenções de investigação do Centro que no estado actual não se traduzem, salvo em um dos casos, em linhas de pesquisa definidas.

O grupo não existindo ainda, não é possível julgar as suas condições de funcionamento. A Comissão espera que, uma vez constituído o Centro, definidos de modo claro seus projectos e realizado o seu programa para os próximos três anos, seja possível avaliar esta Unidade. A qualidade dos seus membros faz-nos estar certos de que tal não será díficil.

 

Pedido de Reavaliação apresentado a 18 de Agosto de 2004

Exmo. Sr. Presidente da Fundação para a Ciência e a Tecnologia

Prof. Doutor Fernando Ramôa Ribeiro


Em resposta à carta de V. Exª (0.10.1/26354 20/76) de 15 de Julho de 2003, carta em que nos são amavelmente comunicadas as recomendações e apreciações do ilustre Painel de Avaliação de Filosofia relativas à proposta de criação de uma nova Unidade de Investigação (20/678) - Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa - vimos manifestar a nossa perplexidade perante a inadequação dessas apreciações relativamente à situação, que é a nossa, de uma proposta que visa a criação de um novo Centro de Investigação e não a avaliação de um Centro já existente.

1. Na verdade, na primeira daquelas apreciações "A comissão interroga-se sobre a pertinência de incluir no projecto a menção a teses de doutoramento concluídas antes da existência do Centro ou previstas para conclusão dentro de alguns anos". Porque o intuito da nossa proposta era a criação de uma nova Unidade de Investigação e não a apresentação de um relatório de actividades de um Centro já existente, tornava-se necessário ilustrar o trabalho já realizado pela equipa proponente indicando (como aliás era exigido pelo próprio formulário da candidatura) a orientação, pelos seus membros, de teses já concluídas e em curso de realização. A este propósito gostaríamos de sublinhar o facto de este procedimento constituir mesmo um requisito formal do Regulamento do Programa de Financiamento Plurianual de Unidades de I&D que, no ponto 1 do artigo 8, estabelece que as candidaturas devem "fornecer informações que permitam avaliar a actividade científica anterior dos elementos que a integram", fazendo referência explícita à indicação da orientação de teses de mestrado e doutoramento. Circunstância que, no nosso caso, é tanto mais significativa quanto se trata de uma equipa cujos 15 doutores (7 membros e 8 colaboradores) têm vindo a desenvolver esforços no sentido de apoiar a realização de teses de mestrado e doutoramento numa área de investigação – a Filosofia da Ciência – que, até ao momento, não tem tido qualquer apoio ou enquadramento institucional.

Não podemos pois perceber que a "pertinência" destas indicações tenha sido questionada pelo Painel Avaliação. Mais, estranhamos profundamente que tal facto possa ter sido depreciativamente considerado.

2. O mesmo se aplica à segunda apreciação do painel de avaliação "Por outro lado, na organização de encontros científicos, cabe notar que aqueles que foram apresentados foram realizados no quadro de outros projectos e de outras instituições". Como seria possível dar indicação da experiência anterior dos membros da equipa na organização de encontros científicos sem remeter para iniciativas realizadas no quadro de projectos e instituições, outras que não um Centro ainda inexistente?

3. O Painel declara ainda: "Sobretudo a Comissão sente-se incapaz de se pronunciar a respeito das intenções de investigação do Centro que, no estado actual não se traduzem, salvo em um dos casos, em linhas de pesquisa definidas".

Não compreendemos por que razão o painel se terá sentido "incapaz de se pronunciar" a respeito das 5 grandes áreas de trabalho definidas pela nossa candidatura (1. Fundamentos epistemológicos das ciências da natureza 2. Filosofia da matemática 3. As "Duas Culturas" e a questão da unidade da ciência 4. Impactos políticos, éticos e sociais das ciências da vida 5. Contaminação paradigmática entre as ciências humanas, naturais e formais) e do compromisso anunciado quanto à realização de três grandes tarefas: 1. a constituição de uma colecção de "Grandes Textos de Filosofia da Ciência em Língua Portuguesa" 2. a organização mensal de um "Seminário Permanente de Filosofia da Ciência" e, 3. a organização da "1ª Conferência Internacional de Filosofia da Ciência de Lisboa" para o próximo triénio.

Nesse sentido, muito gostaríamos de saber: a) qual das 5 linhas de investigação apresentadas foi considerada pelo Painel suficientemente definida, b) quais as razões pelas quais as restantes o não foram c) qual o parecer do Painel relativamente às três grandes tarefas apresentadas.


4. A última apreciação do Painel considera: "O grupo não existindo ainda, não é possível julgar as condições do seu funcionamento. A Comissão espera que, definidos de modo claro os seus projectos e realizado o seu programa para os próximos três anos, seja possível avaliar esta Unidade. A qualidade dos seus membros faz-nos estar certos de que tal não será difícil".

Não nos surpreende que o painel se declare incapaz de "julgar as condições do funcionamento" de um Centro que efectivamente ainda não existe. O que nos surpreende é que tal possa ter constituído um objectivo do painel.

Ao apresentarmos a nossa candidatura, estávamos legitimamente à espera que fosse avaliada a credibilidade da nossa equipa (credibilidade essa que foi reconhecida pelo Painel) e que a relevância dos objectivos e finalidades apresentados na nossa candidatura a uma nova Unidade de Investigação - Centro de Filosofia da Ciência da Universidade de Lisboa - fosse avaliada na sua pertinência, correcção e oportunidade (ponto em que a avaliação do painel é estranhamente omissa).

Mais queremos chamar a atenção de V. Ex.ª para os seguintes aspectos:

a) o Centro de Filosofia da Ciência da Universidade de Lisboa (CFCUL) poderá constituir um passo importante para o desenvolvimento de uma área de investigação internacionalmente reconhecida – a Filosofia da Ciência – e que, até ao momento, não tem tido qualquer apoio ou enquadramento institucional na nossa universidade e no nosso país

b) trata-se de uma área extremamente exigente para a qual a equipa proponente do novo Centro, na sua natureza interdisciplinar e no seu empenhamento, reúne um conjunto feliz de competências oferecendo condições raras para a realização das tarefas que este Centro tem como objectivo

c) a equipa proponente é composta por 33 elementos, dos quais 15 doutores, 8 mestres e 10 licenciados, distribuídos por diferentes áreas científicas (Filosofia, Física, Matemática, Biologia, Bioquímica, Geologia e Educação) e diferentes instituições (Faculdades de Ciências e de Letras da Universidade de Lisboa, IST e Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Técnica de Lisboa, Universidade Nova de Lisboa, Universidade de Évora, ISCTE, Universidade da Beira Interior, Universidade dos Açores, Universidade de S. Paulo e 8 escolas secundárias)

d) na devida altura (Maio de 2002), a equipa proponente deste novo Centro apresentou à FCT (Sapiens 2002), a proposta de um Projecto de Investigação "Cultura Científica. Migrações Conceptuais e Contaminações Sociais" que congrega 19 dos seus elementos (nomeadamente, 6 Doutores-membros, 2 Doutores-colaboradores e 11 mestres e licenciados)

e) aquando da sua candidatura, a equipa proponente deste novo Centro definiu um ambicioso plano de trabalho para o próximo triénio o qual, além das tarefas referidas acima (ponto 3), inclui a publicação de 4 livros, diversos artigos em revistas nacionais e estrangeiras e a colaboração estreita com o novo "Mestrado em História e Filosofia das Ciências" recentemente criado na FCUL e que terá a sua primeira edição no próximo ano lectivo (2003-2004).

Face ao exposto e certos de que V. Exª compreenderá a razão que nos assiste, vimos solicitar de V. Exª a reapreciação da nossa candidatura.

Com os nossos melhores cumprimentos,


Prof. Doutora Olga Pombo

 

Reavaliação 12/Agosto/2004

Philosophy: Fair

Comentário:

Objecto do recurso:

Manifesta-se perplexidade perante a alegada inadequação das apreciações do Painel, que terá avaliado o Centro como se tratasse de um centro existente e com actividade já desenvolvida, quando se trata efectivamente de uma nova unidade. Solicita-se a reapreciação da candidatura, enquanto candidatura a unidade reconhecida pela FCT.

Argumentos que sustentam o recurso:

Contrariando as observações do Painel, os responsáveis pelo Centro entendem ter exposto claramente as linhas de pesquisa e as grandes tarefas que se propõem prosseguir.

Aspectos relevantes do Relatório de Avaliação:

O Painel considerou-se "incapaz de se pronunciar a respeito das intenções de um centro que... não se traduzem em linhas de pesquisa definidas". Constatando que o grupo não existe ainda, afirma não ser possível julgar as condições do seu funcionamento.

Conclusões:

A avaliação desta unidade suscita, à semelhança de outras, a questão de uma melhor clarificação do "estatuto" dessa avaliação ou seja, se ela consiste em avaliar a actividade realizada e os resultados obtidos num dado triênio, ou em apreciar o projecto de uma unidade recém-criada ou a criar. Os objectivos e os critérios da avaliação deverão, naturalmente, ser ajustados em função destas diferentes situações.

No caso em presença, essa clarificação parece não ter existido. Isso mesmo decorre dos termos do Relatório do Painel que oscila entre o reconhecimento da sua incapacidade para avaliar um centro que ainda não funciona e a constatação da falta de elementos de informação suficientemente detalhados que lhe permitam apreciar o projecto, por um lado, e, por outro, a sugestão de que, realizado o programa da unidade nos próximos três anos, passará a haver condições para a avaliação.

À semelhança do que aconteceu com o IS, o Painel de Avaliação entendeu classificar este Centro como "fair". Esta classificação, que assenta fundamentalmente no reconhecimento da qualidade dos membros do Centro, parece-nos justificada tendo em conta o facto, também notado pelo Painel, de as áreas de pesquisa terem sido formuladas em termos demasiado genéricos, não traduzindo verdadeiras linhas de pesquisa, salvo num caso, como também é observado. A lógica seguida pelo Painel ao atribuir a refereida classificação parece ter sido a de dar um sinal de encorajamento ao lançamento desta unidade.

Resposta à Reavaliação apresentada a 21 de Outubro de 2004

Exmo. Sr. Presidente da Fundação para a Ciência e a Tecnologia

Prof. Doutor Fernando Ramôa Ribeiro

Em resposta à carta de V. Exª (0.10.1/24860 20/678) de 12 de Agosto de 2004, carta em que nos são amavelmente comunicadas as apreciações do painel de reavaliação de Filosofia relativas ao recurso por nós interposto quanto à avaliação inicialmente realizada ao Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa, vimos, mais uma vez, manifestar a nossa perplexidade pela continuação da avaliação em Fair atribuída ao nosso Centro. Relativamente ao texto que acompanha essa reavaliação, não podemos deixar de constatar o seu carácter vago e impreciso bem assim como a completa ausência de respostas aos argumentos que fundamentavam o nosso recurso.

Porém, porque nos move uma vontade firme de trabalhar em prol do desenvolvimento da Filosofia das Ciências em Portugal e porque acreditamos ser possível, a curto prazo, obter uma avaliação justa, queremos também informar V. Exª da nossa aceitação desta reavaliação com base na presunção de que é política da FCT classificar com Fair os centros recém criados.

Com os meus melhores cumprimentos Prof. Doutora Olga Pombo

 

Relatórios da Comissão Externa Permanente de Aconselhamento Científico