Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa
 

   

         

Colecção "Fundamentos e Desafios do Evolucionismo"

(para conhecer os títulos dos artigos incluídos em cada volume da Colecção, veja p.f. o fundo da página)

     Collection "Evolutionism: Foundations and Challenges"

(to know all the articles included in each of the collection 4 volumes, please see the bottom of the page)


 (CFCUL / Esfera do Caos Editores)
 
folheto/flyer (download)

 

A ideia da colecção surgiu na sequência do colóquio Darwinismo vs Criacionismo - Onde começa e onde acaba uma teoria científica, realizado em Março de 2007 na FCUL. O enorme interesse pelo tema patente no considerável público presente no colóquio impeliu um grupo de membros e colaboradores do CFCUL a dar uma nova expressão ao objectivo que presidiu a organização do encontro - através da exposição e do confronto de perspectivas divergentes contribuir para o esclarecimento do teor e da natureza das controvérsias que na actualidade decorrem sobre o evolucionismo. A este objectivo veio posteriormente somar-se outro - levar esse esclarecimento a um público mais vasto e a um grupo-alvo particular: professores do ensino básico e secundário e alunos dos níveis secundário e universitário. 

Se o primeiro objectivo encontra a sua justificação na crescente vaga de ataques que ao evolucionismo têm sido dirigidos por grupos não só com convicções anti-evolucionistas mas com uma atitude de negação da Ciência em si mesma, os quais vêm registando uma implantação crescente na Europa, incluindo Portugal, o segundo encontra a sua fundamentação na constatação de um também crescente desconhecimento por parte da generalidade das pessoas de um tema tão fundamental para a formação científica de qualquer indivíduo como é a Evolução, desconhecimento amplamente agravado com a redução, ou melhor, com a mutilação que o tema sofreu durante a última revisão curricular do ensino básico e secundário. 

Estes dois objectivos enquadram o novo projecto que o CFCUL procura agora concretizar - a publicação de quatro livros sobre o tema da Evolução cada um com dois tipos de trabalhos: 'clássicos' do evolucionismo,  textos originais posicionados em um de três territórios do saber, ou preferivelmente articulando quaisquer deles - biologia, história da biologia, filosofia da biologia/ciência. 

 

Apresentação dos volumes da colecção
"Fundamentos e Desafios do Evolucionismo"

1.º volume: 
Evolucionismo - História e Argumentos
 

O livro, o primeiro da série, incide na história das ideias relativas à origem das espécies (parte I) e nos dados originários de diversas áreas científicas que constituem provas, ou argumentos, a favor da evolução (parte II). 

As obras completas de Charles Darwin encontram-se disponíveis na internet, num repositório gerido pela Universidade de Cambridge. Escolhemos para incluir neste livro o trabalho Sobre a Tendência de Espécies formarem Variedades; e Sobre a Perpetuação de Variedades e Espécies por Meios Naturais de Selecção, apresentado em 1858. No capítulo 1 reproduzimos este trabalho - o primeiro de Darwin sobre a origem das espécies divulgado publicamente - e também o ensaio de Alfred Russel Wallace sobre o mesmo assunto, divulgado conjuntamente com o de Darwin.

Desde a década de 40 que Darwin vinha acumulando evidências da evolução e teorizando sobre o mecanismo de selecção natural, ideias que partilhou apenas com os amigos mais próximos. Em Junho de 1858, Darwin recebeu um ensaio de Wallace contendo ideias semelhantes às suas. Na carta que acompanhava o ensaio, Wallace pedia a Darwin que o enviasse a Charles Lyell, se lhe reconhecesse valor. Darwin enviou o trabalho a Lyell e a Joseph Hooker, e estes decidiram divulgar conjuntamente o ensaio de Wallace e dois escritos de Darwin - extractos de um manuscrito elaborado em 1839 e um resumo de uma carta dirigida a Asa Gray em 1857 - provando a precedência das ideias de Darwin. Os dois trabalhos de Darwin e a carta de Wallace foram apresentados na Sociedade Linneana, no dia 1 de Julho de 1858, na ausência dos autores. São esses documentos que aqui reproduzimos, precedidos pela carta de apresentação dos mesmos à Sociedade Linneana. Às portas da efeméride que se comemorará em 2009 - os 150 anos da publicação de A Origem das Espécies e o bicentenário do nascimento de Darwin - a publicação destes documentos em língua portuguesa apresenta uma relevância acrescida.

No capítulo 2 efectua-se um breve percurso pela história das complexas relações entre o 'criacionismo bíblico' e as explicações do mundo vivo que foram sendo elaboradas pelos estudiosos da natureza, apresentando-se algumas das soluções encontradas para conciliar a crença na Criação com o estudo científico dos seres vivos. Esse percurso facilita o entendimento das ideias sobre a génese das espécies predominantes na época em que Darwin escreveu A Origem das Espécies, permitindo simultaneamente percepcionar a enorme distância que separa essas ideias da explicação evolucionista que Darwin formulou. Terminando no século XIX, aquele percurso deixa porém de fora a polémica a que atrás aludimos - entre criacionistas e evolucionistas que decorre no presente - exclusão justificada na medida em que a atitude dos naturalistas até ao século XIX - a tentativa de conciliação do criacionismo bíblico com a perscrutação científica da natureza - difere profundamente da das correntes criacionistas surgidas no século XX, as quais se constituíram amplamente em oposição à ciência, aos seus métodos e resultados.

O capítulo 3 aborda justamente o nascimento da Biologia Evolutiva. A autora, tradutora de A Origem das Espécies para as Publicações Europa-América, efectua uma reflexão sobre o 'livro que abalou o mundo', como frequentemente é referido, apresentando algumas das principais ideias nele defendidas e posicionando-as no contexto histórico em que foram desenvolvidas. Esta reflexão, para além de introduzir o leitor no conteúdo da obra, tem o mérito de poder estimular a sua leitura integral. Como a autora escreve, "um século e meio depois da sua publicação, o leitor moderno pode ainda encontrar, não só uma obra contemporânea e inteligível, mas também um manual útil de consulta". De facto, os argumentos nela apresentados a favor da evolução não só permanecem válidos, como foram consideravelmente reforçados e ampliados pelos desenvolvimentos ocorridos nas ciências geológicas e biológicas ao longo do século XX.

A segunda parte do livro incide precisamente sobre os dados que fundamentam a concepção evolucionista do mundo vivo. Apesar da história do evolucionismo ser longa e não linear, e embora a aceitação do darwinismo tenha registado sucessivos avanços e recuos14, a concepção de que as espécies se transformam no decurso do tempo originando espécies diferentes das pré-existentes é hoje consensual na Biologia, consenso que tem na base um enorme manancial de dados provenientes de uma multiplicidade de disciplinas15.

No capítulo 4 reproduzimos outro trabalho de referência na história do evolucionismo - Nada em Biologia Faz Sentido Excepto à Luz da Evolução, de Theodosius Dobzhansky, publicado originalmente em 1973. A afirmação que dá título ao artigo, infinitas vezes repetida e transcrita, é hoje célebre. Ela traduz, com brevidade e particular clareza, o imenso poder explicativo e a poderosa capacidade unificadora do evolucionismo na Biologia. Partindo da perspectiva geocentrista do sheik Abd el Aziz bin Baz, expressa em pleno século XX, para quem o Corão 'e os factos' "provam que o sol se desloca na sua órbita... e que a Terra é fixa e estável", e depois de uma breve passagem por perspectivas religiosas sobre outras matérias científicas, o autor detém-se na questão criação/evolução dos seres vivos, desenrolando um rol de 'evidências' reveladoras da evolução. Volvidas mais de três décadas, a mensagem do texto mantém-se actual e passível de ser dirigida aos inúmeros 'sheiks Abd el Aziz bin Baz' que habitam no planeta.

Prosseguindo a apresentação de dados que fundamentam o evolucionismo, os capítulos 5 a 9 contemplam dados provenientes, respectivamente, da Paleontologia, da Biogeografia, da Anatomia Comparada, da Embriologia e da Biologia Molecular. Darwin, na 'longa argumentação' que A Origem das Espécies é (assim designada pelo próprio), desde logo expôs uma multiplicidade de dados relacionados com o registo fóssil, a distribuição geográfica das espécies, a morfologia dos organismos e o desenvolvimento embrionário. A esses dados vieram posteriormente somar-se muitos outros, alguns provenientes de áreas entretanto surgidas, como a Biologia Molecular. Os autores destes capítulos, não ignorando a historicidade das disciplinas sobre as quais escrevem, e assim os diferentes contributos que ao longo do tempo elas deram para o estabelecimento do evolucionismo, centram-se porém em dados recentes, o que tem a enorme vantagem de oferecer ao leitor um conjunto de conhecimentos actualizados apresentados numa linguagem acessível. '

A encerrar o livro, o capítulo 10 aborda fenómenos ilustrativos da evolução em acção no presente, como a resistência viral e bacteriana a fármacos, ou a modificação das características de algumas populações de pescado. Frequentemente referida como um processo relativamente lento, e assim relevante apenas em grandes escalas de tempo, a verdade é que a evolução de certos organismos, não só é observável durante o período de tempo correspondente à duração média de uma vida humana, como os seus efeitos podem fazer-se sentir em aspectos importantes da vida das pessoas, como a saúde ou a alimentação.

 

Veja as notícias do info-Ciências a respeito deste volume (info-Ciências digital)

Veja o Blogue de apoio à exposição a inaugurar a 12.02.09, na Fundação Calouste Gulbenkian (link)

Veja também informações sobre o lançamento do primeiro volume da série (link)

(Ver artigo do Expresso)

 

 

2.º Volume: 
Evolucionismo - Conceitos e
Debates
 



O livro reúne um conjunto de textos que procuram apresentar algumas das principais controvérsias em torno dos mecanismos e das características do processo evolutivo. A concepção segundo a qual as espécies se transformam no decurso do tempo originando espécies diferentes das pré-existentes é hoje consensual na Biologia. Porém, o mesmo não pode ser afirmado relativamente aos mecanismos que operam essa transformação, e através dos quais a evolução das espécies ocorre. Existe uma pluralidade de mecanismos evolutivos, sendo objecto de discussão qual a importância relativa dos mesmos. Darwin considerou a selecção natural como o principal motor da evolução (embora tenha admitido outros mecanismos). A predominância da selecção natural foi, no entanto, contestada quando se começaram a acumular dados sobre variação molecular, que sugeriam a predominância de factores estocásticos para explicar a variação de frequências de variantes genéticas (neutralismo). Não foi porém a perspectiva evolucionista que foi posta em causa, apenas a importância do mecanismo da selecção natural ao nível molecular. Significa isto que é possível contestar alguns aspectos do darwinismo, ou da teoria sintética da evolução, sem contudo negar a evolução em si mesma. É neste sentido que vários evolucionistas têm estabelecido uma muito útil demarcação entre evolução como facto e evolução enquanto teoria, demarcação que adoptámos para fins práticos, sendo ela que justifica a divisão entre este livro e o segundo da série. 
 

3.º Volume:
Origem da Vida
 



4.º volume: 
Origem e Evolução do Homem
 



Estes livros são dedicados, respectivamente, à origem e evolução inicial da vida e à origem e evolução do Homem. A compreensão destas etapas da história da vida é particularmente pertinente, afirmação que na nossa opinião dispensa mais justificações.

 

 

 

1.º volume/1st volume

Evolucionismo - História e Argumentos/Evolutionism - History and Arguments

Introdução/Introduction
Parte I - História /Part I - History

  • Darwin, C. R. and Wallace, A. R. 1858. "On the Tendency of Species to form Varieties; and on the Perpetuation of Varieties and Species by Natural Means of  Selection". Journal of the Proceedings of the Linnean Society of London. Zoology 3: 46-50 

  • Carlos Almaça ­ As contradições do criacionismo / Creationism's contradictions

  • Dora Batista - O nascimento da biologia evolutiva – uma reflexão sobre A Origem das Espécies / The birth of evolutive biology - a reflection on On the Origin of Species.

Parte II - Argumentos / Part II - Arguments

  • Dobzhansky, T. 1973. "Nothing in Biology Makes Sense Except in the Light of Evolution". The American Biology Teacher, 35: 125-12

  • Octávio Mateus - Fósseis de transição, elos perdidos, fósseis vivos e espécies estáveis / Transition fossils, missing links, living fossils and stable species

  • Nuno Ferrand e Helena Gonçalves - Evolução e biogeografia: o exemplo dos processos de diversificação dos sapos-parteiros (Alytes spp.) na Bacia Mediterrânica Ocidental / Evolution and biogeography: the example of the diversification processes of the Alytes spp on the western Mediterranean basin.

  • António Afonso - Dados da anatomia comparada/morfologia / Data from compared anatomy / morphology

  • Pedro Patraquim e Élio Sucena - Evolução e ontogenia / Evolution and ontogeny

  • Maria Romeiras e Salomé Pais - A Biologia Molecular na compreensão dos processos evolutivos / The contribution of molecular biology to the understanding of the evolutive process

  • André Levy - Evolução agora / Evolution now

2.º volume/ 2nd volume

Evolucionismo - Conceitos e Debates / Evolutionism - Concepts and Controversies

Introdução / Introduction

  • Mayr, E. 1988. "What is Darwinism". In Toward a New Philosophy of Biology - Observations of an Evolutionist. The Belknap Press of Harvard University Press

  • Sara Carvalho e Lilia Perfeito - Adaptação e aptidão / Adaptation and aptitude

  • Vítor Almada - Processos adaptativos e não-adaptativos / Adaptive and non-adaptive processes

  • Timothy Shanahan - Unidades de selecção / Selection units

  • Teresa Avelar - Evolução e progresso / Evolution and progress

  • Teresa Avelar - Gradualismo vs saltacionismo / Gradualism and saltationism

  • Francisco Carrapiço e Olga Rita - Simbiogénese e evolução / Symbiogenesis and evolution

 


3.º Volume / 3rd volume

 Origem da Vida / Origin of life

Introdução/ Introduction

  • Oparin, A. I. (Texto a definir / Text to be defined)

  • Helena Abreu – Génese do conceito de evolução química / Genesis of the chemical evolution concept

  • Helena Abreu – Correntes bioquímica e génica na investigação da origem da vida / Biochemical and gene flow in the research on origin of life

  • Gilbert Levin (EUA) - Condições em Marte / Conditions in Mars

  • Fernando Barriga - Extremófilos / Extremophiles

  • Francisco Carrapiço, Luísa Pereira e telma Rodrigues - Astrobiologia / Astrobiology

  • José A L da Silva e Ana Amaral - Vias da química pré-biológica / Pre-biological chemistry pathways

  • Mário Cachão - Registo fóssil dos primórdios da vida na Terra / Fossil record of the early life on Earth


4.º Volume/ 4th volume 

Origem e Evolução do Homem / Origin and Evolution of Man


Introdução / Introduction

  • Darwin, C. - Excerto de "The Descent of Man" /excerpts from Darwin's The Descent of Man

  • Jorge Rocha - Evolução da lactase em humanos / Lactase evolution in humans

  • Catarina Casanova - The big primates and the evolution of the human primate

  • Bracinha Vieira - Registo fóssil da evolução humana; origem da linguagem (/cultura) / Human and language evolution

  • Vitor Almada e André Levy - Psicologia evolutiva / Evolutionary psychology

  • Augusta Gaspar - Como a evolução elucida a ética / How evolution elucidates ethics

  • M M A Jorge ­ Inato vs adquirido / natura vs cultura / Nature vs nurture/culture

  • Olga Pombo - Unidade das ciências e dos saberes / Unity of sciences and unity of knowledge
    (Outras participações não confirmadas) / Other participations yet to be confirmed